Como Anitta vai parar na Copa do Mundo após anos de controvérsias?

Anitta Copa do Mundo

No dia 12 de junho de 2026, Anitta vai se apresentar no Estádio de Los Angeles durante a cerimônia de abertura da Copa do Mundo, ao lado de Katy Perry, Future, LISA, Rema e Tyla. A FIFA chamou o lineup de "time dos sonhos" e escolheu Anitta para representar a diversidade cultural das Américas num palco que é, sem dúvida, o maior do planeta.

Quinze anos atrás, ela era apenas uma cantora de funk carioca da Honório Gurgel que afirmava que ia conquistar o mundo, mesmo quando quase ninguém fora do Brasil conhecia seu nome. O mercado achava graça nisso, mas ela persistiu até conseguir.

E o que a fez chegar lá foi uma soma de escolhas muito bem calibradas, inclusive por saber se desvencilhar de todas as situações controversas que se meteu ao longo de todo esse tempo.

Brigas com outros artistas, vida amorosa exposta, posicionamentos políticos, intervenções estéticas, declarações religiosas, conflitos de bastidores, entre outros. Ela praticamente gabaritou todas as categorias possíveis de polêmicas.

Nenhuma delas foi grave o suficiente para acabar com a carreira, mas todas juntas formaram uma reputação que o mercado brasileiro passou anos tentando usar contra ela (e que ela própria tratou com indiferença, brincando ao dizer que se considera "a pioneira do cancelamento" no Brasil).

O que a Anitta de 15 anos atrás tinha, mas não era o suficiente


Há 15 anos, Anitta sabia se posicionar para o público brasileiro, sabia gerar polêmica e manter seu nome em evidência. Tinha tudo que o funk carioca exigia, mas nada do que o mercado internacional demanda.

A Anitta de hoje não é mais talentosa do que há 15 anos. O que mudou é que ela se tornou mais clara sobre o que cada mercado precisa. Tornou-se mais reservada nas redes sociais, mudou o repertório, o idioma, a aparência e as estratégias de lançamento. 

Passou por períodos em que foi menos compreendida pelos fãs aqui no Brasil para ganhar relevância lá fora e decidiu parar de tentar convencer a audiência brasileira de que ia chegar lá. Em vez disso, apenas foi construir seu caminho.

Cada polêmica gerou cobertura, cada cobertura aumentou seu alcance e cada alcance trouxe novas oportunidades. Ela foi inteligente o suficiente para aproveitar essas chances sem se deixar prender nas polêmicas, algo que a grande maioria das pessoas controversas não consegue fazer.

O que separa quem se beneficia da controvérsia de quem se afunda nela


Anitta ainda desperta opiniões divididas no Brasil. Gera críticas, e algumas pessoas duvidam se ela merece os espaços que ocupa. Mas a FIFA não está preocupada com isso, porque isso já não importa tanto na dimensão que ela tem hoje.

Sua imagem construída fora do Brasil é de uma artista latina com relevância em vários mercados, e essa imagem não foi formada aqui. Foi moldada apesar do Brasil. Enquanto as pessoas falavam mal por aqui, ela estava no Grammy Latino, no Saturday Night Live e agora vai abrir a Copa do Mundo.

Na maioria das vezes, entrar em polêmicas não é uma boa estratégia e é a maior armadilha para quem não sabe como sair delas. Mas Anitta calculou na medida certa até que ponto a controvérsia gera atenção. Atenção é a matéria-prima de qualquer marca, mas como você lida com essa matéria-prima é o que decide se você será cancelado ou se vai conseguir passar por cima de tudo isso, como ela fez.

Quem é controverso e quer ocupar espaços maiores não precisa deixar de ser controverso. Precisa entender que a controvérsia deve servir à construção, não como base. Quando a polêmica atrapalha o projeto, a marca perde. O sucesso está em continuar firme no que está sendo construído, apesar da polêmica.

O que a Copa do Mundo representa além do palco


Depois de grandes picos de atenção, Anitta soube ser mais reservada quando necessário e voltar ao eixo. O Equilibrium, álbum lançado recentemente e lido por algumas pessoas como um recuo na carreira internacional, foi exatamente o contrário do que muitos imaginavam. 

Ele materializou esse equilíbrio, literalmente: nem invisível nem superexposta, no caminho do meio. Ao se reconectar com as raízes afrobrasileiras e se associar à marca "Brazil", Anitta abriu as portas para entrar em tudo que o Brasil fosse incluído. Foi exatamente o que aconteceu com a Copa do Mundo.

A mesma Anitta de 15 anos atrás ainda está presente em cada movimento, no sotaque, na dança, na maneira de se conectar com o público. O que mudou foi o espaço onde essa identidade foi plantada. Ela construiu relevância no mercado internacional que não a conhecia, ao mesmo tempo em que lidava com um mercado que a conhecia demais e tinha opiniões formadas sobre quem ela era.

E essa é a distinção que importa para quem está construindo agora e ainda vê a controvérsia como o maior empecilho de sua trajetória. O verdadeiro problema não é a personalidade controversa, é acreditar que precisa acabar com essa controvérsia a antes de seguir atingindo os seus objetivos de longo prazo.