Por que Adriane Galisteu ficou 9 anos invisível para o mercado mesmo sendo boa no que faz?
Adriane Galisteu contou em entrevista recente ao programa Provoca, da TV Cultura, que perdeu 9 anos de sua carreira profissional à espera de uma oportunidade na TV aberta. Ela acreditava que "quem sabe fazer sempre tem um lugar". Ela sabia fazer. Logo, teria um lugar.
Mas os anos que passou afastada da televisão provaram o contrário. Depois de sair do SBT em 2008 e passar pela Band até 2012, a apresentadora iniciou um período que ela mesma define como a pior fase da carreira, apesar de não ter parado de trabalhar nesse meio tempo.
Mas os anos que passou afastada da televisão provaram o contrário. Depois de sair do SBT em 2008 e passar pela Band até 2012, a apresentadora iniciou um período que ela mesma define como a pior fase da carreira, apesar de não ter parado de trabalhar nesse meio tempo.
Ela abriu canal no YouTube, voltou ao teatro, fechou com TV por assinatura, e atuou em vários outros projetos publicitários. Mas o lugar em frente às câmeras da TV aberta, onde ela achava que estava garantido, simplesmente não apareceu:
O que Galisteu viveu tem um nome no mercado de trabalho: é a armadilha do talento passivo. A lógica é a mesma de quem performa bem no escritório e espera que o ambiente note sozinho.
O ambiente não a ignorou por incompetência dela. Ignorou porque ela não estava ocupando o espaço que queria ocupar: estava ocupando o espaço que sobrou.
A virada de Galisteu não veio da espera. Veio quando o mercado finalmente abriu uma porta compatível com o tamanho que ela já tinha, e ela se mostrou pronta para entrar. Foi atrás do seu objetivo principal que era a TV aberta.
Pare de esperar que o mercado lembre de você. Mercado não tem memória afetiva. Tem agenda. Quem não aparece na agenda some do radar, independente do histórico.
Hoje Adriane Galisteu comanda A Fazenda, o segundo maior reality do país, e estrela campanhas de marcas relevantes. O talento estava lá durante os nove anos de geladeira. O que mudou foi o espaço, e a disposição do mercado em abri-lo.
O risco de não rever essa postura pode ser observado em profissionais competentes que passam anos inteiros esperando um reconhecimento que o ambiente não entrega de graça. A competência garante que você está qualificado para a oportunidade. Não garante que a oportunidade vai te procurar.
Eu achei que os bons estão sempre empregados. Isso era uma coisa impensável pra mim, ficar fora do ar.
A postura de Adriane Galisteu diante da situação
O que Galisteu viveu tem um nome no mercado de trabalho: é a armadilha do talento passivo. A lógica é a mesma de quem performa bem no escritório e espera que o ambiente note sozinho.
Você entrega, você aparece, você se mantém disponível, e acredita que isso é suficiente para o mercado te encontrar. A competência vira argumento interno para justificar a espera.
O problema é que o mercado não procura quem está disponível. Procura quem está presente.
Durante nove anos, Galisteu manteve a rotina de trabalho. Fez tudo certo dentro dos limites que o mercado deixou aberto para ela.
O problema é que o mercado não procura quem está disponível. Procura quem está presente.
Durante nove anos, Galisteu manteve a rotina de trabalho. Fez tudo certo dentro dos limites que o mercado deixou aberto para ela.
Mas a TV aberta, que era o espaço que ela identificava como o único que validava sua presença, continuou fechada. E a ausência doeu de um jeito que nenhum projeto alternativo conseguiu preencher.
O buraco no meu peito de estar fora da TV aberta foi enorme.
O ambiente não a ignorou por incompetência dela. Ignorou porque ela não estava ocupando o espaço que queria ocupar: estava ocupando o espaço que sobrou.
A estratégia que ela tomou após a espera
A virada de Galisteu não veio da espera. Veio quando o mercado finalmente abriu uma porta compatível com o tamanho que ela já tinha, e ela se mostrou pronta para entrar. Foi atrás do seu objetivo principal que era a TV aberta.
Participou, inicialmente, da Dança dos Famosos em 2019 e voltou a atuar, depois de 22 anos, na novela O Tempo Não Para, em 2018. Ambos na Globo. Ambos os projetos não eram a sua expectativa, mas foram necessários para que a apresentadora voltasse ao radar das emissoras de TV aberta.
O que profissionais nessa posição raramente fazem, e deveriam, é parar de tratar a espera como estratégia. Manter-se ativo em frentes alternativas é necessário, mas não suficiente se essas frentes não constroem narrativa para o espaço que você quer ocupar.
Movimento 01
O que profissionais nessa posição raramente fazem, e deveriam, é parar de tratar a espera como estratégia. Manter-se ativo em frentes alternativas é necessário, mas não suficiente se essas frentes não constroem narrativa para o espaço que você quer ocupar.
Movimento 01
Nomeie publicamente onde você quer estar. Não com arrogância, mas com clareza. Galisteu sabia que queria a TV aberta mas comunicava disponibilidade geral.
Quem comunica disponibilidade de modo geral para qualquer coisa recebe oportunidade que lhe resta.
Movimento 02
O segundo movimento é transformar os projetos alternativos em ponte, não em substituto. Teatro, YouTube e TV por assinatura eram provas de que ela não havia parado.
O segundo movimento é transformar os projetos alternativos em ponte, não em substituto. Teatro, YouTube e TV por assinatura eram provas de que ela não havia parado.
Poderiam ter sido argumentos ativos de reposicionamento, usados para criar conversas com quem decidia na TV aberta, não apenas para preencher o currículo.
Movimento 03
Pare de esperar que o mercado lembre de você. Mercado não tem memória afetiva. Tem agenda. Quem não aparece na agenda some do radar, independente do histórico.
Os impactos da estratégia na carreira de Adriane Galisteu
Hoje Adriane Galisteu comanda A Fazenda, o segundo maior reality do país, e estrela campanhas de marcas relevantes. O talento estava lá durante os nove anos de geladeira. O que mudou foi o espaço, e a disposição do mercado em abri-lo.
O risco de não rever essa postura pode ser observado em profissionais competentes que passam anos inteiros esperando um reconhecimento que o ambiente não entrega de graça. A competência garante que você está qualificado para a oportunidade. Não garante que a oportunidade vai te procurar.
