Por que Casas Bahia teve que voltar atrás com o Baianinho?
Um dos personagens mais queridos da publicidade brasileira voltou há alguns meses. A Casas Bahia escolheu o show de João Gomes, no Parque Villa-Lobos, pra marcar oficialmente o retorno do Baianinho na versão original e anunciar o cantor como novo embaixador da marca.
A ação, criada pela W3haus, do Grupo Stefanini, fez a revelação pra trazer de volta a memória afetiva, enquanto o público acompanhava a volta do personagem ao vivo. E essa escolha de todos os elementos envolvidos não foi por acaso.
João Gomes é hoje um dos artistas mais populares do país, e representa exatamente o que a marca quer reforçar. É sua ligação com histórias reais, conquistas do dia a dia e referências genuinamente brasileiras.
O encontro entre o cantor e o Baianinho junta o passado que funcionou e presente no mesmo lugar, aproximando quem cresceu com o personagem de quem está conhecendo ele agora.
Amanda Assis, diretora de Marketing do Grupo Casas Bahia, define o movimento como um resgate de essência, trazer o personagem de volta dentro de um contexto atual, mais conectado à cultura e ao cotidiano das pessoas.
Leandro Pinheiro, diretor de criação da agência, reforça a mesma ideia do reencontro entre memória, identidade e a relação histórica da marca com o brasileiro.
Até aqui é o que a marca comunica bem. Mas tem uma pergunta que fica no ar e que explica o movimento inteiro. Se o Baianinho sempre foi um dos maiores símbolos da Casas Bahia, por que ele tinha saído pra precisar voltar? A resposta é o que torna esse caso interessante.
Em algum momento a marca decidiu modernizar a própria imagem e deixou o personagem de lado. Foi uma leitura de mercado, já que marcas como Magalu e Natura tinham se reposicionado com uma cara mais contemporânea e colhido resultado. A Casas Bahia olhou pra esse sucesso e tentou o mesmo caminho.
A modernização funcionou pra essas marcas porque combinava com o que elas são ou com a nova identidade que construíram com consistência.
Na Casas Bahia, a novidade soou forçada. A essência da marca nunca esteve na cara moderna e minimalista, sempre esteve no Baianinho, no popular, no afeto, no crediário que realizava o sonho da família brasileira.
Quando ela trocou isso por uma imagem que estava na moda, o público sentiu que não era mais a Casas Bahia de verdade e não abraçou do mesmo jeito. Copiar o movimento certo da marca errada é um erro, mesmo que a tendência esteja provada.
O que fez a Magalu crescer não ia fazer a Casas Bahia crescer, porque as duas vêm de lugares diferentes, falam línguas diferentes com o público. Seguir a tendência vencedora do vizinho pode ser justamente o que te afasta da sua própria força, quando essa tendência não conversa com a sua origem.
O retorno do Baianinho não é um demérito por voltar atrás numa decisão errada. Enquanto o mercado inteiro corre atrás do novo, a Casas Bahia faz o movimento contrário, volta pro antigo.
É a marca reconhecendo que a força dela nunca esteve na novidade, esteve na memória afetiva que construiu em décadas. Ancorar esse retorno no João Gomes é a jogada que fecha a conta, porque ele é moderno e popular ao mesmo tempo. Atualiza o Baianinho sem descaracterizar ele.
Apesar disso, a marca não vende o retorno como correção de um erro, vende como celebração e resgate. Transformar o passo atrás numa comemoração é o que evita o desgaste de admitir que a modernização não pegou, e ainda gera um momento afetivo com o público. Eles voltaram atrás com elegância.
A lição pras marcas é que o fato de uma estratégia ter funcionado pra outra empresa não significa que vai funcionar pra você. Antes de abraçar a tendência do momento, vale a pergunta mais básica: isso conversa com o que a minha marca sempre foi, ou eu estou só copiando o sucesso alheio?
Modernizar é ótimo quando amplia a identidade, e é perigoso quando apaga ela. Quem tem um símbolo forte e afetivo, construído com o tempo, carrega um patrimônio que dinheiro nenhum compra rápido.
Abandonar isso pra parecer atual quase sempre custa mais do que rende. O caminho costuma ser o contrário, trazer o símbolo pro presente em vez de trocar ele por uma novidade sem raiz.
Com a carreira, o raciocínio é igual. É comum olhar pra quem deu certo e tentar copiar a fórmula, o mesmo estilo, o mesmo posicionamento, o mesmo jeito de se vender.
Só que o que funcionou pra outra pessoa nasceu da história e das forças dela, não das suas. Copiar de fora costuma soar emprestado, do mesmo jeito que soou na Casas Bahia.
O movimento mais forte é quase sempre voltar pra sua própria essência, o que só você faz bem, a sua marca real. Atualizar isso pro contexto de hoje rende muito mais do que vestir a identidade de outro. Você não precisa ser a versão moderna de alguém, precisa ser a versão atual de si mesmo.
No fim, o caso do Baianinho mostra que voltar atrás não é fraqueza quando significa voltar pra quem você é. A Casas Bahia gastou um tempo tentando ser o que deu certo pros outros, e o resultado mais valioso foi lembrar que o forte dela sempre esteve ali, esperando ser trazido de volta.
A ação, criada pela W3haus, do Grupo Stefanini, fez a revelação pra trazer de volta a memória afetiva, enquanto o público acompanhava a volta do personagem ao vivo. E essa escolha de todos os elementos envolvidos não foi por acaso.
João Gomes é hoje um dos artistas mais populares do país, e representa exatamente o que a marca quer reforçar. É sua ligação com histórias reais, conquistas do dia a dia e referências genuinamente brasileiras.
O encontro entre o cantor e o Baianinho junta o passado que funcionou e presente no mesmo lugar, aproximando quem cresceu com o personagem de quem está conhecendo ele agora.
A decisão de trazer de volta o Baianinho clássico
Amanda Assis, diretora de Marketing do Grupo Casas Bahia, define o movimento como um resgate de essência, trazer o personagem de volta dentro de um contexto atual, mais conectado à cultura e ao cotidiano das pessoas.
Leandro Pinheiro, diretor de criação da agência, reforça a mesma ideia do reencontro entre memória, identidade e a relação histórica da marca com o brasileiro.
Até aqui é o que a marca comunica bem. Mas tem uma pergunta que fica no ar e que explica o movimento inteiro. Se o Baianinho sempre foi um dos maiores símbolos da Casas Bahia, por que ele tinha saído pra precisar voltar? A resposta é o que torna esse caso interessante.
Em algum momento a marca decidiu modernizar a própria imagem e deixou o personagem de lado. Foi uma leitura de mercado, já que marcas como Magalu e Natura tinham se reposicionado com uma cara mais contemporânea e colhido resultado. A Casas Bahia olhou pra esse sucesso e tentou o mesmo caminho.
Por que a tendência dos outros não colou com o Baianinho?
A modernização funcionou pra essas marcas porque combinava com o que elas são ou com a nova identidade que construíram com consistência.
Na Casas Bahia, a novidade soou forçada. A essência da marca nunca esteve na cara moderna e minimalista, sempre esteve no Baianinho, no popular, no afeto, no crediário que realizava o sonho da família brasileira.
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| O Baianinho voltou na Casas Bahia (Imagem: Reprodução / Instagram) |
Quando ela trocou isso por uma imagem que estava na moda, o público sentiu que não era mais a Casas Bahia de verdade e não abraçou do mesmo jeito. Copiar o movimento certo da marca errada é um erro, mesmo que a tendência esteja provada.
O que fez a Magalu crescer não ia fazer a Casas Bahia crescer, porque as duas vêm de lugares diferentes, falam línguas diferentes com o público. Seguir a tendência vencedora do vizinho pode ser justamente o que te afasta da sua própria força, quando essa tendência não conversa com a sua origem.
Admitir o erro é melhor que sustentar uma decisão errada
O retorno do Baianinho não é um demérito por voltar atrás numa decisão errada. Enquanto o mercado inteiro corre atrás do novo, a Casas Bahia faz o movimento contrário, volta pro antigo.
É a marca reconhecendo que a força dela nunca esteve na novidade, esteve na memória afetiva que construiu em décadas. Ancorar esse retorno no João Gomes é a jogada que fecha a conta, porque ele é moderno e popular ao mesmo tempo. Atualiza o Baianinho sem descaracterizar ele.
Apesar disso, a marca não vende o retorno como correção de um erro, vende como celebração e resgate. Transformar o passo atrás numa comemoração é o que evita o desgaste de admitir que a modernização não pegou, e ainda gera um momento afetivo com o público. Eles voltaram atrás com elegância.
Marcas: tendência não substitui a identidade
A lição pras marcas é que o fato de uma estratégia ter funcionado pra outra empresa não significa que vai funcionar pra você. Antes de abraçar a tendência do momento, vale a pergunta mais básica: isso conversa com o que a minha marca sempre foi, ou eu estou só copiando o sucesso alheio?
Modernizar é ótimo quando amplia a identidade, e é perigoso quando apaga ela. Quem tem um símbolo forte e afetivo, construído com o tempo, carrega um patrimônio que dinheiro nenhum compra rápido.
Abandonar isso pra parecer atual quase sempre custa mais do que rende. O caminho costuma ser o contrário, trazer o símbolo pro presente em vez de trocar ele por uma novidade sem raiz.
Carreiras: o modelo dos outros pode te apagar
Só que o que funcionou pra outra pessoa nasceu da história e das forças dela, não das suas. Copiar de fora costuma soar emprestado, do mesmo jeito que soou na Casas Bahia.
O movimento mais forte é quase sempre voltar pra sua própria essência, o que só você faz bem, a sua marca real. Atualizar isso pro contexto de hoje rende muito mais do que vestir a identidade de outro. Você não precisa ser a versão moderna de alguém, precisa ser a versão atual de si mesmo.
No fim, o caso do Baianinho mostra que voltar atrás não é fraqueza quando significa voltar pra quem você é. A Casas Bahia gastou um tempo tentando ser o que deu certo pros outros, e o resultado mais valioso foi lembrar que o forte dela sempre esteve ali, esperando ser trazido de volta.

